Blog do Simeão

Pensamentos e Cronicas

12

de
abril

Perdas e Danos

Um piscar de olhos, uma resvalada, um átimo de tempo é o que basta. Conquistas e perdas se dão nessa fração quase imperceptível do tempo. É tênue a linha que nos coloca para o outro lado, para perdas, danos e incertezas. Muitas vezes invisível por anos e anos.

Um carro amassado num muro, uma construção sendo demolida são coisas fáceis de perceber. Muito mais difícil é saber quando estão sendo destruídos sentimentos, almas. O que se enxerga como conquistas, atenção, compartilhamento, podem ser aríetes. Golpeiam e ferem sem piedade, trazendo marcas que só se apagarão (se é que se apagarão) com tempo, compreensão e, principalmente, disposição.

Acho que nosso egoísmo, nosso individualismo ou até mesmo uma mistura dos dois age sempre assim, meio como um filme mal revelado! Deixa-nos ver pouco e naquilo que não vemos acabamos por projetar atitudes maravilhosas, atenções totais, amores incondicionais. Difícil quem consiga enxergar na parte não visível de si próprio um caráter mau, uma incapacidade enorme de interpretar anseios e necessidades à sua volta, um ditador de vontades, um sufocador de dores e vidas.

A todos devia ser dada a oportunidade de se enxergar por inteiro, e mais ainda, de enxergar nos outros aquilo que realmente somos para eles. Não a representação que pensamos ser!  Vamos nos iludindo vida afora com auto-conceitos falsos, que consideram tão somente nossa própria visão, interesse e sentimento. Até que vem aquele “piscar de olhos”, mencionado lá em cima, até que alguém desenha o que se teimava em não ver, até que se descobre o que se realmente é!

Vivemos na certeza de que somos tudo aquilo que realmente pensamos ser. Ilusão! Somos, de verdade, exatamente como cada um dos que nos rodeia nos vê. Nada mais, nada menos! E somos múltiplos, plurais, diferentes aos olhos de cada pessoa. Bons e justos para alguns, maus para outros, indiferentes para a maioria. Carrasco ou salvador, um amigo ou um opressor?

Com todo este antagonismo nos é dado viver. De algum modo, instintivamente ou não, sabemos que tudo isto é da natureza humana e assim vamos em frente. Agora, terrível é quando levantamos nosso “tapete de bondades” e descobrimos montanhas de ”lixo” não varrido. Terrível é não ter enxergado o que realmente estávamos sendo, é o tempo ter se esvaído e nunca termos percebido. Terrível é machucar nossos amados, é levá-los a não mais acreditar, é descobrir que lhes provocamos também Perdas e Danos! É sentir sair algo que esvazia nossos corações!

 

 

19

de
janeiro

Eu Hoje Joguei Tanta Coisa Fora…

                                         Eu hoje joguei tanta coisa fora,

                                         Eu vi o meu passado passar por mim,

                                         Cartas e fotografias,

                                         Gente que foi embora.

                                         A “casa fica bem melhor assim”.

                                                                                                 Herbert Vianna e Tet Tillett

 

Talvez essa seja a essência dos recomeços, que tantas e tantas vezes precisaríamos encarar em nossas caminhadas. Talvez esse esvaziar de corações, essas limpezas de mente, sejam as janelas que nos abrem para o mundo, para o que está por vir. O novo, a brisa que nos refresca, o oxigênio que nos infla o peito. A cura de nossas angústias.

 

O amor que se esvaneceu, o filho que cresceu, os pais que se foram. As cidades e coisas que deixamos. Os amigos que esquecemos (ou que de nós se esqueceram!). Os negócios que malograram. Os sonhos que não se realizaram. As limitações do tempo, do nosso corpo.

 

Coisas que nos machucam a Alma. Feridas e dores vivas que se instalam em nossa mente e em nossa carne. Bolas de chumbo em nossos tornozelos! E só nós é que podemos aliviar. São cargas nossas, exclusivas, propriedade sua, minha, de cada um!

 

Temos que ser mutações em trânsito, renovação constante. Conquistas e frustrações alegrias e tristezas, forças e fraquezas nos “espetam” a cada momento. Todo dia, isso tudo aqui, bem ao lado, junto de cada um de nós. Coisas que não queremos, teimam em aparecer. Nem tudo que queremos nos é dado viver.

 

Faxinar, reciclar, recomeçar. É o que nossa Alma mais precisa, e é onde talvez repouse sua saúde. É onde abrimos o peito para o futuro, onde olhamos para o infinito e onde permitimos que retornem a felicidade e os ensinamentos que a vida ainda nos tem a oferecer. E ela sempre tem. E se quisermos, ela sempre vem!

 

Assim amigos, experimentem jogar alguma coisa fora, se permitam aliviar de um passado, que bom ou mau é passado! Mas não radicalize: não é um jogar fora no sentido de apagar, sumir, esquecer. É um jogar fora de modo que você ainda consiga, mesmo que rápida e fugazmente saber que aquilo tudo existiu! Talvez seja mais um arredar para o lado, assim meio que para não atrapalhar o caminho! Espie para trás, mas não esqueça nunca de olhar para frente e lembre-se: deixe suas tralhas para o lado e permita a vida entrar pelo nariz!

 

Essa arte, esta capacidade de reconciliar as coisas e pessoas de nossa trajetória, vitórias, derrotas, amores, chegadas e partidas é, certamente, o fundamento de nossa paz de espírito. É o que nos fará rir e chorar de nós mesmos. É o que permitirá um olhar sereno e fraterno sobre nossa própria existência.

 

A “casa fica bem melhor assim”. Cada um de nós fica muito melhor assim!

13

de
janeiro

“Copiar”, “Colar”

Dezembro de 2008: Blumenau. Inicio de 2010: Angra dos Reis e na sequência, Niterói. Início de 2011: Região Serrana do Rio de Janeiro. Com a regularidade de um Big Brother a martelada das tragédias provocadas pelos deslizamentos de encostas eclode em nossas telas. Mais uma vez! E novamente escrevo sobre isto. Não consigo evitar, é uma vida estudando, trabalhando e agindo em situações similares. A gente sabe o que deve ser feito. A gente sabe que, em tese, é até fácil de fazer. Mas são necessárias ações políticas, políticas publicas, responsabilidade de governos, de administrações. Responsabilidades, que sabe-se lá, talvez jamais venham. Talvez seja querer demais de homens que na verdade fazem de menos.

 

…Casas que não deviam estar ali, pessoas que não deviam estar ali. Pela irresponsabilidade de muitos, pela falta de ação de todos, dezenas morrerão, milhares chorarão. Seja nas favelas do Morro da Carioca, seja no pé das encostas da paradisíaca Ilha Grande, nem aquelas casas nem aquelas pessoas poderiam estar lá.

 

…Novas tragédias, mais mídia e “ibope” para os interessados! Mais choro na nossa TV, mais “entrevistas exclusivas” com pais desesperados e zonzos com o próprio sofrimento! Mais “espetacularização” dos dramas particulares de cada vítima! Mais autoridades fazendo cara de vítima na frente das câmeras, mais culpas para o “aquecimento global”, para o “governo anterior”, para o “escambau”!

 

Rio de Janeiro, Teresópolis, Petrópolis, Vitória, Salvador, Belo Horizonte, Blumenau e tantas e tantas tragédias semelhantes que já ocorreram no Brasil nos últimos 50 anos nada ensinaram a nossas autoridades? De que adiantam “Defesas Civis” espalhadas por todo canto? Para que servem “Secretarias de Obras” em cada estado e em cada município? Continuam as pessoas estando onde não deveriam estar.

 

A ignorância, a falta de responsabilidade e a cegueira de nossas autoridades só permitem atuação pós-tragédias. Para evitá-las, nada. Dá trabalho e não dá mídia. Desautorizar construções em áreas de risco, achar soluções para sua desocupação, interditar, proteger o cidadão, nada disso dá mídia. Governadores, Prefeitos e Secretários adoram ser fotografados ao lado de uma retro-escavadeira. Ou dentro de um helicóptero sobrevoando a tragédia.

 

Enquanto continuarem pessoas vivendo onde não poderiam estar, enquanto nossas “autoridades” continuarem permitindo a “roleta russa” da ocupação desordenada de encostas, alguém, favelado ou turista, rico ou pobre estará no caminho que a natureza precisa seguir, no momento em que determinadas e sabidas condições assim o exigirem. Tragédias evitáveis sempre têm seus culpados. Começa com a falta de ação de governantes que nunca agem verdadeiramente a favor da população e termina pela falta de responsabilização desses incompetentes, que parecem imunes a tudo, que jamais são alcançados pelo repúdio popular, pela justiça ou pela própria consciência.

 

Outros verões chegarão, mais chuvas virão e em todo o Brasil continuarão, pessoas estando onde não deveriam estar, autoridades explicando o que não deveriam explicar, muita gente protegendo a natureza do homem e quase ninguém protegendo o homem da natureza.

 

Este, certamente, foi o post mais fácil que já escrevi para este Blog. “Copiar” e “Colar”! Dois comandinhos usados com tanta facilidade quanto aquela com que se esquecem as tragédias que se repetem ano a ano, verão a verão, chuva a chuva! Receita pronta, ingredientes à mão. E os “maestros” que temperam essas desgraças, soltos por aí, culpando o passado, o clima e tudo o mais! Soltos por aí, isso é o que dói mais. Irresponsáveis.

 

9

de
abril

“Jorges robertos” do Brasil!

…Casas que não deviam estar ali, pessoas que não deviam estar ali. Pela irresponsabilidade de muitos, pela falta de ações de todos dezenas morrerão, milhares chorarão. Seja nas favelas do Morro da Carioca, seja no pé das encostas da paradisíaca Ilha Grande, nem aquelas casas nem aquelas pessoas poderiam estar lá.

 

…Novas tragédias, mais mídia e “ibope” para os interessados! Mais choro na nossa TV, mais “entrevistas exclusivas” com pais desesperados e zonzos com o próprio sofrimento! Mais “espetacularização” dos dramas particulares de cada vítima! Mais autoridades fazendo cara de vítima na frente das câmeras, mais culpas para o “aquecimento global”, para o “governo anterior”, para o “escambau”!

 

Começo este comentário repetindo exatamente o que havia escrito em Fevereiro, logo após a tragédia de Ano Novo que ocorreu em Angra dos Reis! Se quiser, em pouco tempo poderei iniciar mais um, talvez repetindo ainda as mesmas palavras que, diga-se de passagem, não são em nada diferentes daquilo que se comenta nos tele jornais, nas crônicas, nas rádios, nas entrevistas de técnicos e doutores versados na matéria. Mas não há jeito, por mais que se saiba, por mais que sejam apontados caminhos, por mais que sejam criticadas as omissões, não há “eco” no poder publico!

 

Homens como o prefeito de Niterói (já em seu quarto mandato!) jamais tomarão uma só atitude que possa efetivamente encaminhar soluções para a tragédia humana que significa a ocupação desordenada de áreas de risco. Ali são seus feudos. Ali, nos seus “pequenos Haitis” eles prometem um “asfaltozinho”, levam um “ramalzinho” de água, passam a vida prometendo dar um “títulozinho” de propriedade a esses pobres, ignorantes e desamparados cidadãos. E levam seus “votos”, se alimentam de suas misérias!

 

A dimensão da tragédia coloca hoje o Jorge Roberto da Silveira, de Niterói sob a luz dos holofotes. Com isto inúmeros outros “jorges robertos da silveira”, no Rio, Blumenau, Vitória, Salvador, Florianópolis, etc., saem da ribalta! Niterói ocupa de tal forma as manchetes da vez que parece nada ter acontecido no município do Rio de Janeiro! Blumenau já é uma longínqua lembrança…”Quando foi mesmo?!”  Angra dos Reis já retomou sua vida, se livrou dos escombros e está “pronta prá outra!”

 

“- mas não havia qualquer indício de que pudesse haver uma tragédia ali”, repete pateticamente o Jorge Roberto da Silveira, de Niterói! Em junho de 2004 foi apresentado um trabalho do Instituto de Geociências da Universidade Federal Fluminense apontando a área do Morro do Bumba como sendo de “extremo risco”. Laudos técnicos nada significam para “jorges robertos”!  “- Entenda”, diz ele para o entrevistador, “- eu não sou técnico”, desculpa-se o omisso! Estudos entre 142 pontos de Niterói apontaram 11 como de grande risco, entre eles o nosso já conhecido Morro do Bumba. “Jorges robertos” , seus incompetentes (porém “fiéis!”) secretários definitivamente não tomam conhecimento de estudos científicos. São políticos, suas missões são “outras”!

 

Aí continuam eles, se perpetuando! Essa praga brasileira que são os “jorge robertos”, suas omissões, suas desculpas, suas irresponsabilidades. Quando deveriam estar sendo investigados ou processados, continuam a desfiar desculpas nas entrevistas. Quando deveriam estar na cadeia, estarão mais uma vez fazendo promessas e pedindo votos. Quando deveriam ter sumido da vida publica estarão, mais uma vez, eleitos para continuar sua trilha de desgraças e de desculpas esfarrapadas sob toneladas de escombros, terra, lixo e vidas.

6

de
janeiro

Pessoas Onde Não Deveriam Estar

Primeira madrugada de 2010. Chuva intensa sobre a região de Angra dos Reis. Pessoas se divertem, pessoas cantam. Muitos dormem e alguns simplesmente contemplam. Muita chuva, solos saturados com suas resistências chegando a limites extremos. O peso da água encharcando cada poro daqueles solos é demais. Rompe-se o equilíbrio e tudo vem abaixo: lama, pedras e vegetação formam uma “língua” que pela força da gravidade corre encosta abaixo.

 

São toneladas de uma massa desgovernada e imparável. Nada, a não ser o encontro de uma nova posição de equilíbrio será possível de contê-la. Casas e gente, o que houver no seu caminho será arrastado junto. Destruição e dor na mancha terrosa que substituirá o bonito verde anteriormente vislumbrado. E fotografado!

 

Casas que não deviam estar ali, pessoas que não deviam estar ali. Pela irresponsabilidade de muitos, pela falta de ações de todos dezenas morrerão, milhares chorarão. Seja nas favelas do Morro da Carioca, seja no pé das encostas da paradisíaca Ilha Grande, nem aquelas casas nem aquelas pessoas poderiam estar lá.

Rio de Janeiro, Teresópolis, Petrópolis, Vitória, Salvador, Belo Horizonte, Blumenau e tantas e tantas tragédias semelhantes que já ocorreram no Brasil nos últimos 50 anos nada ensinaram a nossas autoridades? De que adiantam “Defesas Civis” espalhadas por todo canto? Para que servem “Secretarias de Obras” em cada estado e em cada município? Continuam as pessoas estando onde não deveriam estar.

 

A ignorância, a falta de responsabilidade e a cegueira de nossas autoridades só permitem atuação pós-tragédias. Para evitá-las, nada. Dá trabalho e não dá mídia. Desautorizar construções em áreas de risco, achar soluções para sua desocupação, interditar, proteger o cidadão, nada disso dá mídia. Governadores, Prefeitos e Secretários adoram ser fotografados ao lado de uma retro-escavadeira. Ou dentro de um helicóptero sobrevoando a tragédia.

 

Enquanto continuarem pessoas vivendo onde não poderiam estar, enquanto nossas “autoridades” continuarem permitindo a “roleta russa” da ocupação desordenada de encostas, alguém, favelado ou turista, rico ou pobre estará no caminho que a natureza precisa seguir, no momento em que determinadas e sabidas condições assim o exigirem. Tragédias evitáveis sempre têm seus culpados. Começa com a falta de ação de governantes que nunca agem verdadeiramente a favor da população e termina pela falta de responsabilização desses incompetentes, que parecem imunes a tudo, que jamais são alcançados pelo repúdio popular, pela justiça ou pela própria consciência.

 

Outros verões chegarão, mais chuvas virão e em todo o Brasil continuarão, pessoas estando onde não deveriam estar, autoridades explicando o que não deveriam explicar, muita gente protegendo a natureza do homem e quase ninguém protegendo o homem da natureza.

 

Novas tragédias, mais mídia e “ibope” para os interessados! Mais choro na nossa TV, mais “entrevistas exclusivas” com pais desesperados e zonzos com o próprio sofrimento! Mais “espetacularização” dos dramas particulares de cada vítima! Mais autoridades fazendo cara de vítima na frente das câmeras, mais culpas para o “aquecimento global”, para o “governo anterior”, para o “escambau”!

14

de
setembro

TUA PISCINA TÁ CHEIA DE RATOS…

“A tua piscina ta cheia de ratos, tua verdade não corresponde aos fatos!”. Não sei bem porque, mas a cada fala do nosso presidente do Senado, a cada desculpa, a cada negativa daquilo que está saltando aos nossos olhos me vem à cabeça essa canção de Cazuza. Não trocaria 1.000 Sarneys por 1 Cazuza! Nem 1.000 senadores, quaisquer deles! Que coisa patética! Sarney, num discurso indignado bradando que havia “uma perseguição nazista” contra si! E mais, ele se julga um injustiçado e candidamente foi capaz de declarar: “eu devia era estar sendo louvado, pois moro num apartamentozinho de 85 m2 quando vou a São Paulo e estou economizando dinheiro público!” Pois é, ele disse isso, eu ouvi, ninguém me contou! Sarney, o Imperador do Norte, o Faraó dos Lençóis Maranhenses se julga um benfeitor da nação, exemplo de probidade, um cidadão sem igual.

 

Até quando teremos que conviver com isso? Até quando seremos usados e abusados por gente dessas práticas e dessa moral? Empregam todos seus parentes, têm suas contas, casa, carros e viagens pagas por empresas que prestam serviços públicos os mais diversos, são pegos literalmente com a “boca na botija”, negam, negam, negam! Manipulam fatos, são protegidos pelo judiciário. Gente arrogante e mentirosa, de quem a verdade se esgueira e escorre como o fel, o mesmo que se encontra nas valas negras que seus desvios e incompetência deixam abertas nos mais miseráveis bolsões da sociedade brasileira. Aquele que milhões de miseráveis são obrigados a pisar todos os dias. E a cheirar! E ele é que se julga um injustiçado. E acha que devia estar sendo louvado! Inacreditável!

 

Este homem é o exemplo de muitos dos seus pares. São senadores e deputados, gente que devia sim é estar sendo julgada, pelo que de mais grave possa existir nos tribunais deste nosso mundo: algo como “Crimes contra a Humanidade”. É a isto que eu gostaria de ver essa gente responder. O dinheiro que nos falta para educação, saúde e segurança, as políticas públicas que não são implementadas, as votações que nos são sonegadas para criar as condições de amparo social, devem ser debitadas diretamente na conta desses senhores. O imobilismo oficial é deles, a paralisia social é culpa deles. A verdade deles não corresponde aos fatos!

 

Mas, assim como Sarney, os demais também devem se achar uns injustiçados. E que deviam estar sendo louvados! Dizem eles que sofrem o julgamento das “urnas”, e que ali, na reeleição de cada um está a comprovação definitiva de suas inocências. Mentira! Este julgamento, resultado do voto sugestionável dos ignorantes eleitores brasileiros não tem validade nenhuma, é um julgamento comprado, é resultado de campanha publicitária, da venda de uma imagem. É farsa. “Suas piscinas estão cheias de ratos…!”E o julgamento de Deus, que tantos desses crápulas teimam em mencionar, também não vale, pois a esse não poderemos assistir. E nem comemorar!

 

 

11

de
setembro

Os(As) Mesmos(as) Guris(as)!

                          Quero tentar compartilhar com vocês um pouquinho daqueles sentimentos que traduzam algumas de nossas emoções mais remotas! Nossa infância, adolescência, brincadeiras e sentidos. Parece que ficaram no tempo! Os que tiveram a sorte de experimentar a segurança e liberdade de crescer nas belas e pacatas cidades de nosso interior, ou ainda, nos também pacatos e arborizados bairros de Porto Alegre, são verdadeiramente privilegiados! Mas esquecemos ou pouco nos lembramos disso. Meninos jogando taco, bola e andando de “bici” pelas ruas. As gurias jogando amarelinha e mais tarde nas calçadas nos observando com olhares fugidios! Passeios longos, de atravessar cidade passo a passo, “assovios” para chamar os amigos e a noite a nos encontrar sentados num muro num papo sem fim!

 

                         Voltando no tempo, cada um de nós vai sorrir com uma lembrança especial, com um sonho do passado, com coisas simples e belas. A caminhada para o colégio, a toalha enrolada para a piscina do clube. Doces de mães e avós, severidade de professores, os amores juvenis! Encheríamos páginas descrevendo coisas, lugares e situações que nos impulsionaram para a caminhada pelo mundo que acabamos por enfrentar. Mas no fundo, bem no fundo de nossas almas jamais deixamos de ser aquilo que hoje nossas lembranças, sabe se lá porque, teimam em esquecer!

 

                          O link abaixo certamente resgatará um pouco disso. Ouça com atenção e deixe suas lembranças vaguearem pela belíssima letra e musica de Kleiton e Kledir Ramil. Adapte coisas, lugares e situações, faça uma boa viagem ao seu passado e descubra se você ainda não é o(a) mesmo(a) guri(a)!

 

Um bom fim de semana a todos!

 

WWW.youtube.com/watch?v=3W00YCgOVPU

16

de
maio

O Rio Grande está de volta!

                             Finalmente o Rio Grande do Sul está de volta! E eu nele! Ar gelado, brisa que faz você sentir cada centímetro de sua pele. Na falta de um bom “Teixerinha”, Eric Clapton e o ronco agudo de um chimarrão “solito” compõem esse ambiente tão amado pela gente do sul! É bom saber que o clima do nordeste não se instalou aqui; os ares da patagônia, os ventos da cordilheira ainda batem por estes costados!

 

                             Bom sentir o carinho daquele já antigo e quente blusão, e do pátio de casa, sob um céu azul de doer os olhos, ouvir uma coisa que só Porto Alegre tem: as ferraduras de um cavalo batendo no calçamento duro das ruas, o suspiro inconfundível desse animal que tanto representa na história, nos costumes e nas paixões desse povo! É, o Rio Grande está de volta!

 

                             Dos anos em que morei fora, talvez essas tenham sido minhas maiores saudades! Essas pequenas coisas que lhe dizem: você está em casa! O vôlei de praia, ainda que jogasse e gostasse, não me era natural. Nem pisar na areia fora do verão, nem não ter um corpo amado e quentinho para o aconchego das madrugadas. As pessoas queridas que estão longe você alcança pelo telefone ou por uma viagem de final de semana. A nossa terra precisa de tempo e de sentidos aguçados para ser sentida! Seus encantos não estão permanentes à nossa disposição. Ela os oferece quando sabe que já estamos preparados para desfrutá-los.

 

                             Eu já estava com saudades do Rio Grande. Calor e seca não são nosso cotidiano. Queria sentir o verdadeiro pulsar da minha terra. Agora estão chegando os verdadeiros ares do Sul. No conforto do amargo quente que me aquece a “goela” penso no orgulho e na satisfação de ter nascido neste rincão. Frio, “soledad” e liberdade de pensamentos… elementos indissociáveis entre tantas coisas que forjaram os gaúchos… agora sim, tudo aqui presente… eu me sentindo em casa… o Rio Grande de volta! Um bom final de outono e um ótimo inverno a todos!

9

de
maio

De Lixas e Eleições!

                             Como os amigos já devem ter reparado, este blog nada mais é (ou tenta ser!) um “cantinho” de desabafo. Não tem nenhum compromisso com regularidade, popularidade nem nada. Várias vezes já dei fim a ele. Cansei. Pensei: “pronto, deu, chega destes assuntos, chega de revolta, vamos tocar nossa vida!”

 

                             Mas, não tem sido possível. As coisas vão acontecendo e chega a um ponto tal que preciso colocar aqui minha indignação. Preciso repartir com vocês! Eu jamais estarei “me lixando” para vocês! E esse é o tema de hoje, o nobre deputado Sergio Moraes e o real significado de suas mal explicadas lixas!

 

                             O homem, ao sentir a tremenda burrada que disse, está até agora tentando se explicar: “… eu falei que estava me lixando para o que os jornais escrevem…”. Mas não foi bem isso. Na realidade ele além de realmente ter proferido a infeliz frase, complementou: “… e parte da opinião publica não acredita no que vocês escrevem. Vocês batem mas a gente se reelege…”.

                             É verdade, o deputado tem razão. Os homens públicos do Brasil se reelegem porque nosso povo padece do vício do esquecimento e nossa justiça do vício da impunidade. Não são outras as razões do porque de tal distanciamento entre o legislativo e o cidadão brasileiro.

                             Não bastasse a farra das passagens aéreas do senado, não bastasse o indecente e interminável cabide de empregos que nossos suados impostos sustentam, não bastasse termos que aturar toda sorte de roubo e vilipêndio patrocinados por nossas nobres autoridades, agora estamos descobrindo o escárnio e o pouco caso que esses senhores têm, seja pelo povo, seja pela imprensa, seja pela justiça. Na verdade sempre soubemos que isso existia, mas ainda não tínhamos a manifestação explícita destes sentimentos. Mas, como bem diz o deputado Sergio Moraes e certamente como bem pensam o resto de nossos congressistas, “não adianta falar, não adianta escrever, a gente sempre se reelege”.

 

                             Esse é o nosso verdadeiro pecado eleitoral: eles realmente sempre se reelegem. Olhemos a nominata de nosso senado e câmara: são quadrilhas, capitães-do-mato, clãs e muitos outros vergonhosos agrupamentos. São do norte, do sul, de direita e de esquerda. São crentes, são ateus, são reformistas e conservadores, são diversos, são tudo, mas há uma direção para a qual todos olham juntos: a reeleição, a perpetuação no poder, o enriquecimento à custa da nação. E nisso eles são bons, muito bons eu diria, e não adianta bater, eles estão “se lixando” para nós. Ah, ia esquecendo, e sempre se reelegem!

22

de
fevereiro

Eles Não Tem Vergonha II

                             Cada vez que cruzo por uma favela miserável de alguma capital brasileira, juro pr’á vocês: calo de vergonha. Não me refiro à Rocinha ou à Mangueira. Essas são quase a “Portelinha” que a Rede Globo inventou numa novela recente! Tem coisa feia de verdade: são pessoas vivendo literalmente dentro de esgotos, “merda e mijo” em suas peles e unhas! Valas negras são comuns em cidades como São Paulo, Fortaleza, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro e tantas outras. São crianças convivendo com ratos, são miséria, pobreza e fome em níveis subumanos. É o Brasil para o qual fechamos nossos olhos.

 

                             Mas “Eles”, não têm vergonha! Deste que é um dos países mais ricos do mundo, não conseguem extrair os mínimos recursos para prover sequer saneamento básico a esses pobres miseráveis. Social-Democratas, Trabalhadores, Socialistas, Comunistas. Não interessa o rótulo sob o qual se escondem: “Eles” não têm vergonha!

 

                             O Brasil possui hoje a maior fronteira agrícola do mundo, que soma mais de 130 milhões de hectares, quase 10% de todas as terras agriculturáveis do planeta! Possuímos também as maiores reservas de água doce da Terra, quase 15% de todo manancial disponível. O Brasil é o maior produtor de alimentos da Terra, o maior! Mas, desgraçadamente, não se consegue fazer chegar o pão a esses pobre coitados. Quem já viu uma mãe miserável dando “sopa de jornal velho” para seu filho não chorar de fome, teria vergonha como eu e como você talvez tenha, mas “Eles” não, esses jamais terão vergonha!

 

                             A riqueza mineral do Brasil é espantosa: ferro, manganês, bauxita e agora até petróleo. Vamos muito além da auto sustentabilidade. O Brasil é um dos líderes mundiais em reservas e tecnologia de exploração mineral. Com energias, não é diferente: nosso potencial hidroelétrico, eólico e térmico sequer nos deixa sentir falta da tecnologia nuclear.

 

                             O governo brasileiro é pródigo em distribuir esmolas: “bolsa família”, face visível e oficial da compra de votos e do assistencialismo barato e sem imaginação de nossos governantes. O povo à cabresto, a miséria sob controle e um discurso para as épocas de eleição. É só isso que eles querem! E “Eles” continuarão não tendo vergonha!

 

                             Só o que já foi mencionado basta, só isto já nos faz verdadeiramente uma das nações mais ricas do planeta, que para “eclodir” espera a mais de 200 anos por coisas tão básicas como educação, saúde e saneamento. O estado brasileiro, através de uma das mais altas taxas tributárias do mundo, arrecada uma fortuna invejável até mesmo a países de primeiro mundo. Mas gasta mal, e deixa que lhe roubem muito!  A aplicação justa e correta de nossos recursos, a execução das obras de infra-estrutura a destinação honesta do resultado da exploração de nossas riquezas fariam desta nação um país de pleno emprego. Teríamos salário, renda e justiça social. A saúde e o saneamento seriam atendidos, a educação traria segurança.

 

                             Seria fácil, se nossos governos assim quisessem! Seria fácil se houvesse vergonha, vergonha de manter vivo um Brasil que não é de todos, de não deixar que miseráveis partilhem sequer esperança, vergonha de ver seres humanos que por mal nascidos, por roubados e por esquecidos vivem pior do que nossos cães, num submundo sujo, brutalmente miserável, sem ajuda e sem futuro. Os natimortos da nação, o câncer escondido, o desarranjo fétido que o poder teima em não curar. O subproduto do roubo, do esquecimento e da falta de vergonha na cara de governos incompetentes, desatentos e corruptos!

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